dezembro 14, 2008

Conhecendo a Bíblia – 32ª parte - MIQUÉIAS

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MIQUÉIAS

Miquéias era um contemporâneo de Isaías (compare 1.1 com Isaías 1.1) e profetizou tanto a Israel como à Judá. Foi mencionado por Jeremias em Jeremias 26.18, que cita ele como alguém enviado por Deus, e Jesus citou Miquéias em Mateus 10.35,36.

Note a semelhança entre Miquéias e Tiago (Miquéias 6.6-8 e Tiago 1.27).

O nome Miquéias vem, provavelmente, de uma palavra que tem o significado de: “Quem é semelhante a Jeová?” (parecido com Miguel, que quer dizer “Quem é semelhante a Deus?”). Ele era morastita, ou seja, de Moresete-Gate (1.1,14) um povoado uns quarenta km a sudoeste de Jerusalém.

Miquéias profetizou durante os reinados de Jotão, Acaz e Ezequias, reis de Judá, ou seja, entre 740 e 690 aC (aproximadamente), talvez durante um período menor que abrangeu uma parte dos reinados dos três. Ele começou o seu trabalho alguns anos antes da queda de Samaria (722/1 aC). A falta de menção dos últimos reis de Israel sugere que a mensagem dele fosse dirigida principalmente ao reino do sul, Judá.

Os três reis citados eram bem diferentes um do outro:

(a) Jotão foi um bom rei que “... se foi tornando mais poderoso, porque dirigia os seus caminhos segundo a vontade do Senhor, seu Deus” (2Crônicas 27.6);

(b) Seu filho, Acaz, foi um dos piores reis na História de Judá: “Andou nos caminhos dos reis de Israel e até fez imagens fundidas a baalins” (2Crônicas 28.2). Chegou a sacrificar os seus próprios filhos aos ídolos (2Crônicas 28.3). Colocou um altar sírio no lugar do altar de Deus diante do templo, e fez outras alterações no templo (2Reis 16.10-18). Deus permitiu castigos severos durante o reinado de Acaz, incluindo:
(1) Derrota pelos siros que levaram presa uma grande multidão (2Crônicas 28.5);
(2) Derrota por Israel que resultou na morte de 120.000 soldados e no cativeiro de 200.000 (2Crônicas 28.6-8);
(3) Derrota pelos Edomitas (2Crônicas 28.17);
(4) Perda de várias cidades de Judá para os filisteus (2Crônicas 28.18);
(5) Traição pelo rei da Assíria (2Crônicas 28.16,20).

(c) Ezequias foi um dos melhores reis da História de Judá. Fez grandes reformas no templo, restaurou a celebração da Páscoa, etc. Quando Senaqueribe ameaçou Jerusalém, Ezequias e Isaías buscaram ao Senhor. Deus salvou a cidade e mandou seu Anjo para matar 185.000 soldados assírios. Veja os detalhes do reinado deste bom rei em 2Crônicas 29-32.

Mensagem

Além de repreender o povo pelo pecado e de falar sobre as conseqüências da desobediência, Miquéias revelou ou afirmou vários pontos importantes da mensagem de Deus para seu povo. Ele olhou para a vinda do Messias e fez a mesma profecia de Isaías 2.1-4, sobre o estabelecimento do monte da casa do Senhor (4.1-3). Mais de 700 anos aC, ele profetizou especificamente do lugar do nascimento de Jesus (5.2).

Apresentou resumidamente as exigências que Deus faz ao homem: “... o que o Senhor pede de ti...” (6.8).

Um século depois, sua profecia foi lembrada e citada (Jeremias 26.17-19), e acontecimentos ocorridos sete séculos mais tarde atestam a autenticidade da profecia de Miquéias (Mateus 2.1-6; João 7.41-43).

No período entre o início do reino dividido de Salomão (Israel ao Norte e Judá ao Sul) e a destruição do templo, muitos “altos” haviam sido introduzidos em Judá através da influência de Samaria. Isso colocou a idolatria dos cananeus em disputa com a verdadeira adoração no templo do Senhor (1.5). Miquéias mostra como essa degeneração espiritual levará inevitavelmente o julgamento sobre toda a terra. E, embora o rei Ezequias tenha tido uma notável vitória sobre Senaqueribe e o exercito assírio, Judá estava prestes a cair, a não se que a nação se voltasse para Deus, arrependendo-se de todo coração.

O Livro de Miquéias é uma profecia acerca do Senhor, que não tem concorrentes no perdão do pecado e na compaixão pelos pecadores. Sua fidelidade compassiva mantém um concerto com Abraão e seus descendentes.

A “excelência do nome do Senhor” (5.4) está caracterizada, bem como a face do Senhor (3.4), seu louvor (2.9), seus caminhos (4.2), seus pensamentos (4.12), sua força (5.4), suas justiças (6.5; 7.9) e sua conseqüente ira (7.9) e furor (5.15; 7.18) contra todas as formas de rebelião moral.

Na visão de abertura, o Senhor vem desde o templo da sua santidade, para ser testemunha contra o povo (1.2). O fator mais notável no manejo do Senhor da sua causa é quão fundo ele foi para apresentar sua contenda (6.2), até mesmo desejando sentar-se à mesa do réu e deixando seu povo levar qualquer queixa quanto ao modo que o Senhor Deus o tenha tratado (6.3). Além disso, aquele que verdadeiramente se arrepende terá o Senhor como seu advogado de defesa (7.9).

Enquanto a Babilônia ainda não era um poder mundial que podia permanecer independente da Assíria, o cativeiro babilônico (mais de um século depois) foi claramente predito como o julgamento de Deus contra a rebelião feita contra Ele (1.16; 2.3,10; 4.10; 7.13). Mas, assim como Isaías, Miquéias, a esperança foi estendida para um restante a ser restaurado, que seja desse cativeiro ou de um povo espiritualmente restaurado (a igreja) nos dias do Messias (2.12-13; 4.6-7; 5.3,7-8; 7.18). O Senhor libertaria o restante (2.12-13; 4.3-8,10; 5.9; 7.7).

Miquéias tinha de censurar a liderança da nação por destruir o rebanho que lhes foi confiado. Entretanto, a grande compaixão de Deus colore cada uma das suas atitudes e ações em relação ao seu povo, representando-o como uma filha extraviada (1.13; 4.8,10,13), pois sua compaixão, que, uma vez, redimiu a Israel do Egito (6.4), irá também redimir Judá da Babilônia (4.10).

Sua fidelidade compassiva a Abraão e aos pais (7.20) é atualizada a cada nova geração. Essa mensagem está focalizada numa única pergunta central para toda a profecia: “Quem, ó Deus, é semelhante a ti, que perdoas a iniqüidade e que se esqueces da rebelião do restante da tua herança?” (7.18). A compaixão de Deus (7.18-19) é um atributo precioso a que nenhuma deidade pode se igualar. A compaixão e a fidelidade do concerto são exclusivas a Deus. A esperança do povo de viver sob a completa bênção de Deus estava ligada à vinda do Messias. Deus, em seu amor, prevendo as glórias da sua graça a ser manifesta em Jesus, manteve-se proclamando aquele Dia e reino futuros como o acontecimento no qual o fiel devia por sua esperança.

As profecias sobre Cristo fazem o Livro de Miquéias luzir com esperança e encorajamento. O livro se inicia com uma grandiosa exposição da vinda do Senhor (1.3-5). As profecias posteriores afirmarão o aspecto pessoal da sua chegada em tempo histórico. Mas a disposição de Deus para descer e interagir é estabelecida no princípio.

A primeira profecia messiânica ocorre numa cena de pastor de ovelhas. Depois que a terra deles havia sido corrompida e destruída, um restante dos cativos seria reunidos como ovelhas num curral. Então, alguém quebraria o cercado e os levaria para fora da porta, em direção à liberdade. (2.12-13). E esse alguém é seu “Rei” e “Senhor”. O episódio completo harmoniza-se belamente com a proclamação de Jesus acerca da liberdade aos cativos (Lucas 4.18), enquanto, na verdade, liberta os cativos espirituais e físicos.

Miquéias 5.2 é uma das mais famosas profecias de todo o Antigo Testamento. Ela autentica a profecia bíblica como “a Palavra do Senhor” (1.1; 2.7; 4.2). A expressão “a Palavra” do Senhor (4.2) é um título aplicável a Cristo (João 1.1; Apocalipse 19.13). A profecia de Miquéias 5.2 é, explicitamente, messiânica (“Senhor em Israel”) e especifica seu lugar de nascimento em Belém, num tempo quando Belém era pouco conhecida.

Suas palavras foram pronunciadas muitos séculos antes do acontecimento; ele não tinha nenhuma sugestão do lugar a que recorrer. Outra característica dessa profecia é que ela não pode se referir a apenas qualquer líder que possa ter sua origem em Belém. Cristo é o único a quem ela pode se referir, porque ela iguala o Senhor com o Eterno: “Cujas origens são desde os tempos antigos, desde os dias da eternidade.” Esta profecia confirma tanto a humanidade quanto a divindade do Messias de um modo sublime.

A profecia de Miquéias 5.4-5 afirma a condição de pastor de Messias (“apascentará o povo”), sua unção (“na força do Senhor”), sua divindade (“na excelência do nome do Senhor”) e sua humanidade (“seu Deus”), seu domínio universal (“porque agora será ele engrandecido até aos fins da terra”) e a sua posição como líder de um reino de paz (“E este será a nossa paz”).

O clímax da profecia (7.18-19), mais o versículo final (7.20), apesar de não incluir o nome do Messias, definitivamente referem-se a ele. Na expressão da misericórdia e compaixão divinas, ele é Aquele que “subjugará as nossas iniqüidades”, lançando-as nas profundezas do mar para que Deus possa perdoar os pecados e trocar o pecado pela verdade.

Um referência singular ao Espírito Santo, ocorre no contraste feito por Miquéias da autoridade que está por trás de seu ministério com aquela dos profetas falsos de seus dias. Enquanto outros homens eram feitos corajosos pelos tóxicos para fabricar contos na forma de profecias, o verdadeiro poder, a força e justiça que estão por trás da mensagem de Miquéias vieram da sua unção pela “força do Espírito do Senhor” (3.8).
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2 comentários:

KETY disse...

Graça e paz meu irmão passando para uma visita que Deus abençoe muito a sua vida através destes estudos

james disse...

A Graça e paz vos sejam multiplicadas, irmã Kety.

É motivo de muita alegria vossa amável visita ao nosso humilde espaço.

Louvemos ao Senhor que nos criou e nos deu de Seu infinito Amor, por isso somos felizes.

Deus a abençoe e aos seus ricamente.

Fraternalmente.
James.