abril 07, 2009

Legalismo!

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Como nos afirma Israel Belo de Azevedo, há dois tipos de pessoas: as que querem mudar e as que não querem. Entre as que não querem, há as que não precisam e há as que precisam mudar.

O legalista precisa mudar, porque sua atitude produz sofrimento, para ele e para seu próximo. Como ensinou Jesus, o legalista fecha ao homem e para si mesmo o reino dos céus (Mateus 23.13). É por isto que o Mestre chama os legalistas, que muito O importunaram, de "raça de víboras" (Mateus 3.7).

A palavra "legalismo" ou "legalista" não aparece na Bíblia. Na verdade, trata-se de uma postura doutrinária e comportamental que valoriza um sistema de regras como necessário para a salvação ou para o crescimento espiritual. O legalista esquece que a lei foi dada por intermédio de Moisés, mas a graça e a verdade vieram por intermédio de Jesus Cristo (João 1.17). Assim, a lei não teve apenas o propósito de levar a Cristo, como ensina Paulo (Gálatas 3.24), mas contém um conjunto de regulamentações a serem seguidas, mesmo depois de proclamada a graça por Jesus Cristo, como ensinam os legalistas.

Doutrina e vida andam juntas, como o demonstra a atitude de Jonas, quando recebeu a incumbência de pregar a salvação a um povo que não era o seu. A teologia de Jonas o levou a fugir. A atitude de Jonas o levou a insistir em seu comportamento legalista. Teologia e atitude têm que estar juntas para produzir um comportamento legalista. A leitura do Antigo Testamento, sem o Novo, pode fazer mal à teologia. Teologia pode fazer mal a saúde.

O QUE QUEREM OS LEGALISTAS


Ao igualar justiça com obediência externa a um código de conduta, o legalismo se torna devastador por várias razões:

1. Subestima ou ignora o papel da motivação interior numa ação.
2. Põe o foco no esforço próprio e não na capacitação divina.
3. Estimula o orgulho humano em lugar de valorizar a dependência de Deus.
4. Tende a usar a Bíblia para justificar suas idéias e preferências previamente concebidas.
5. Tende a imaginar que uma pessoa é aceita por Deus em função do seu comportamento, não por causa do Seu amor.
6. Tende a impor convicções pessoais sobre outras pessoas e a condena se falharem ou não desejarem viver segundo essas regras.

Na gênese do legalismo estão alguns conceitos:

1. Desejo pelo auto-controle ("Eu preciso estar no controle para que as coisas aconteçam").
2. Crença no poder do esforço próprio. (O fariseu não foi justificado porque achava que suas obras o credenciavam diante de Deus, tornando-o automaticamente merecedor da justificação divina. O publicano foi justificado porque viu a sua insuficiência diante de Deus)
3. Sensação de segurança dada por parâmetros e limites fixos, estáticos e tangíveis, com um imenso medo da liberdade na tomada responsável de decisões.
4. Interesse tradicionalista na manutenção do status quo, numa espécie de reverência cega ao passado, como se o passado fosse sempre melhor que o presente. For por causa desta atitude que Jesus cunhou a sua típica expressão: "Eu, porém, vos digo".
5. Tendência a dividir a vida em compartimentos definidos, com soluções instantâneas e verdades pré-estabelecidas (como ocorre nos fundamentalismos). Para o legalista, não há tons; só cores.
6. Vitória do princípio da colheita, que se baseia na relação causa-e-efeito (plantou-colheu), na teologia do mérito (mereceu-recebeu) e no desejo de justiça (os bons são recompensados e os maus são punidos), como se a ira do homem produzisse justiça (Tiago 1.20).

O legalista, portanto, baseia sua visão de mundo em preceitos legais, em regras e regulamentos, em "isto pode, isto não-pode". Predominam autoritária e opressivamente (Lucas 11.46; Mateus 23.1-5) expectativas, obrigações, tarefas, observâncias, rotinas, procedimentos, fórmulas e deveres. Há um forte sentido de obediência à lei, não ao Senhor; a regras, não a Deus; a padrões externos, não a valores internos. As regras se sobrepõem às pessoas. Ao tempo de Jesus, uma pessoa que ficasse doente no sábado precisava esperar o pôr-do-sol para ser tratada. Se num sábado, uma pessoa estivesse com fome e não tivesse preparado nada, tinha que esperar o dia seguinte para se alimentar.

COMO AGEM OS LEGALISTAS


Algumas palavras podem ser arroladas para caracterizar o comportamento legalista.

Algumas pessoas concordam com o diagnóstico e com o mal-estar que produzem as atitudes que simbolizam, mas não conseguem, ou não querem, que estas palavras sejam lançadas para longe de suas vidas.

Vejamos algumas dessas atitudes em forma de palavras únicas:

PERFECCIONISMO. O legalista tende a desenvolver uma personalidade perfeccionista, o que faz dele um refém de si mesmo. Como crê na auto-santificação, o resultado é culpa. Como quer se superar sempre, nunca está satisfeito com o que alcança. Como se esforça muito, o legalista acaba exausto; anda sempre esgotado, porque nunca descansa, nunca espera que Deus faça a sua parte. Muitas vezes, a pessoa se percebe perfeccionista e até vê esta marca como uma virtude. É claro que devemos desejar a perfeição, uma vez que somos chamados a ser perfeitos. Só que a Bíblia nos diz que o aperfeiçoamento é uma obra do Espírito Santo em nós, com a nossa cooperação, nesta ordem.

CRÍTICA. O legalista tem um alto senso crítico. Nada lhe escapa. Como tem de si um conceito mais elevado do que convém, ninguém presta; ninguém passa por seu cânon.

Nem consigo mesmo ele se entusiasma. O resultado é o desânimo. Criticar, na verdade, é julgar. Estamos sempre julgando, mas o nosso julgamento deve ser feito com humildade. Segundo a Bíblia julgar "com retidão é mais aceitável ao Senhor do que oferecer sacrifício" (Provérbios 21.3). E aí precisamos nos lembrar que nossa capacidade de julgar corretamente está embotada pelo pecado. É por isto que condenamos no outro o que aprovamos em nós (Romanos 2.1). E é por isto que Jesus nos recomenda a não julgarmos para não sermos julgados (Mateus 7.1) e para que deixamos que entre em ação a justiça perfeita de Deus (Romanos 14.10).

COMPARAÇÃO. O legalista acha seguir um padrão maior, mas, na verdade, seu padrão é o outro. O comportamento que espera do outro e até de si mesmo é sempre em comparação com o de outra pessoa. O legalista tem um conceito de si mesmo mais elevado do que convém (Romanos 12.3), e é por isto que compara e se compara.

ARROGÂNCIA. O legalista é orgulhoso da sua condição espiritual, ostentando sua auto-justiça, sempre em busca da aprovação que não importa: a aprovação dos homens. Suas palavras sempre se resumem numa indisfarçada vaidade ("olha como eu vivo" -- cf. Lucas 15.1-2), em função do imenso gosto pela honra e pelo status, mesmo que termine suas frases com um "tudo para glória de Deus".

INTOLERÂNCIA. Por se achar perfeito, o legalista tende a ser intolerante; em nome do combate àquilo que acha estar errado, pode até brigar e bater. Muitas vezes, sua impaciência resvala para a hostilidade. O intolerante geralmente muda quando aquilo que sempre condena sucede à sua família.

FANATISMO. O legalista põe a verdade acima do amor. Nada é mais verdadeiro do que a sua verdade, que ele crê ser a única. Sua visão espiritual nunca inclui; sempre exclui. Sua leitura da Bíblia é cega: ele só vê o que quer ver.

HIPOCRISIA. Para o legalista só uma coisa tem valor: a aparência. Se as aparências estiverem preservadas, tudo estará bem. O hipócrita não se auto-promove para obter prestígio; no fundo, quer que imaginem que ele não é o que ele é. O hipócrita não quer, como recomendou Jesus, limpar primeiro o seu interior, para que o exterior pudesse ficar limpo (Mateus 23.26)...

Então, estejamos dispostos a responder à pergunta de Deus a Jonas: "Você tem alguma razão para essa fúria?" ou, segunda outra versão, "é razoável essa tua ira?"

Será que, os que tudo afirmam ser legalismo, realmente não são legalistas??

http://prazerdapalavra.com.br/

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3 comentários:

Alessandro disse...

Olá!

Estou usando este espaço para divulgar o blog "Salvos Pelo Amor!"

Não deixem de conferir!

Abraço.

http://salvospeloamor.blogspot.com/

Matias Borba disse...

Caro irmão james,
Paz do Senhor!

Estou bem ausente no blog do irmão, meu tempo está bem limitado e corrido, mas sabendo dos ótimos textos aqui postados não posso deixar de conferir.

Esse texto bem esclarecido nos mostra como devemos caminhar aqui nesta terra, se não tomarmos o cuidado necessário com o legalismo, corremos um sério risco de agirmos como verdadeiros fariseus.

Parabéns pelo tetxo, Deus abençoe!

Anônimo disse...

Olá benção de Deus este blog está uma benção, que as ricas bençãos do Senhor JESUS te enriqueçam muito mais. Um grande abraço do amigo irmão: JOSEMA SANTOS
josemarsantoslouvai.blogspot.com