setembro 19, 2008

Conhecendo a Bíblia - 22ª parte

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ISAÍAS

O Evangelho no Velho Testamento

O primeiro versículo deste livro coloca Isaías, o filho de Amoz, como o seu autor, entre 700 – 680 aC. O nome “Isaías” significa “O SENHOR é salvação”. A visão e a profecia são reivindicadas quatro vezes por Isaías; seu nome é mencionado mais doze vezes no livro. Seu nome também aparece doze vezes em 2Reis e quatro vezes em 2Crônicas.

O Livro de Isaías é citado por dezenas de vezes no Novo Testamento, sendo atribuído em cada caso ao profeta Isaías. Vários argumentos favorecem a autoria do profeta, termos que identificam idéias e temas de especial importância para servirem de referência estão igualmente distribuídos através de todo o livro, referências à paisagem e as cores locais são uniformes. A beleza de estilo superior na poesia hebraica nos últimos capítulos pode ser explicada pela mudança de assunto, de julgamento e súplica para consolo e segurança.

O profeta coloca que ele profetizou durante os reinados de “Uzias, Jotão, Acaz e Ezequias, reis de Judá” (1.1). Alguns aceitam que o seu chamado para o ofício profético tenha sido feito no ano que o rei Uzias morreu, que foi em cerca de 740 aC (6.1,8). Entretanto, é provável que ele tenha começado durante a última década do reinado de Uzias. Por Isaías mencionar a morte do rei da Assíria, Senaqueribe, que morreu em cerca de 680 aC (37.37,38), ele deve ter sobrevivido a Ezequias por alguns anos. A tradição diz que Isaías foi martirizado durante o reinado de Manassés, filho de Ezequias. Muitos acreditam que a forma “serrados” em Hebreus 11.37 é uma referência à morte de Isaías. A primeira parte do livro pode ter sido escrita nos primeiros anos de Isaías, e foca capítulos posteriores, após a sua retirada da vida pública.

Se Isaías começa profetizando em cerca de 750 aC, o seu ministério pode ter se sobreposto aos ministérios de Amós e Oséias em Israel, bem como o de Miquéias em Judá.

Isaias profetizou no período mais crucial da história de Judá e Israel. Ambos os reinos do Norte e do Sul haviam experimentado cerca de meio século de poder e prosperidade crescentes. Israel, governado por Jeroboão e outros seis reis de menor importância, tinha sucumbido ao culto pagão; Judá, sob Uzias, Jotão e Ezequias, manteve uma conformidade exterior à ortodoxia, mas, gradualmente, caiu num sério declínio moral e espiritual (3.8-26). Lugares secretos de culto pagãos eram tolerados; o rico oprimia o pobre; as mulheres negligenciavam suas famílias na busca do prazer carnal; muitos dos sacerdotes e profetas tornaram-se bêbados que queriam agradar os homens (5.7-12,18-23; 22.12-14).

Embora estivesse para vir mais um avivamento a Judá sob o rei Josias (640-609 aC), estava claro para Isaías que a aliança registrada por Moisés em Deuteronômio 30.11-20 havia sido tão inteiramente violada, que o cativeiro e o julgamento eram inevitáveis para Judá, assim como o era para Israel.

Isaías entrou em seu ministério aproximadamente na época da fundação de Roma e dos primeiros Jogos Olímpicos dos gregos. As forças européias ainda não estavam preparadas para grandes conquistas, mas diversas potências asiáticas estavam olhando para além de suas fronteiras. A Assíria, particularmente, estava inclinada a conquistas ao sul e ao oeste. O profeta, que era um estudioso dos assuntos mundiais, podia ver que o conflito era iminente. A Assíria conquistou Samaria em 721 aC.

Depois de sua ressurreição, Jesus caminhava com dois de seus discípulos e “... explicava-lhes o que dEle se achava em todas as Escrituras” (Lucas 24.27). Para fazer isso, Jesus deve ter extraído muita coisa do Livro de Isaías, porque dezessete capítulos contém referências proféticas a Cristo.

Cristo é citado como o “Senhor, Renovo do Senhor, Emanuel, Maravilhoso Conselheiro, Deus Forte, Pai da Eternidade, Príncipe da Paz, Raiz de Jessé, Pedra Angular, Rei, Pastor, Servo do SENHOR, Eleito, Cordeiro de Deus, Líder e Comandante, Redentor e Ungido”.

O cap. 53 é o grande capítulo do Antigo Testamento que profetiza a obra expiatória do Messias. Nenhum texto em ambos os testamentos expõe de um modo tão completo o propósito da morte vicária de Cristo na cruz. Ele é citado diretamente por escritores do Novo Testamento: 52.15 (Romanos 15.21); 53.1 (João 12.38; Romanos 10.16); 53.4 (Mateus 8.17); 53.5 (Romanos 4.25; 1Pedro 2.24); 53.7-8 (Atos 8.32-33); 53.9 (1Pedro 2.22); 53.10 (1Coríntios 15.3-4); 53.12 (Lucas 22.37).

Também existem muitos cumprimentos de detalhes no cap. 53 em adição às citações diretas.

O Espírito Santo é mencionado especificamente quinze vezes, sem contar as referências ao poder, efeito ou influência do Espírito que não citam seu nome. Há três categorias gerais sob as quais a obra do Espírito Santo pode ser descrita:

A unção do Espírito sobre o Messias para fortalecê-lo, para seu domínio e governo como Rei no trono de Davi (11.1-12); como o Servo sofredor do Senhor, que irá fazer cura, libertação, iluminação e justiça às nações (42.1-9); como o Ungido (Messias) em seus dois adventos (61.1-3; Lucas 4.17-21).

O derramamento do Espírito sobre Israel para lhes dar triunfo em sua reabilitação conforme o padrão do Êxodo (44.1-5; 63.1-5), para protegê-los de seus inimigos 59.19) e para preservar Israel em relacionamento de concerto com o SENHOR (59.21).

Entretanto, Israel deve ser cuidadoso para não se rebelar e contristar o Espírito Santo (63.10; Efésios 4.30).

A operação do Espírito Santo na criação e na preservação da natureza (40.30; ver também 48.16).

O Senhor Jesus, que teve seu ministério terreno realizado no poder e unção do Espírito Santo, como Isaías havia profetizado, prometeu derramar seu Espírito sobre a Igreja, para fortalecê-la para o ministério no cumprimento da Grande Comissão.

Isaías - O Profeta do Messias

O cumprimento de profecia é uma das provas mais fortes de que a Bíblia é inspirada por Deus e que Jesus é o Cristo, o Filho de Deus. O Novo Testamento cita e aplica mais textos do livro de Isaías do que de qualquer outro profeta do Antigo Testamento. De fato, Isaías é muitas vezes referido como o "profeta messiânico", por causa das muitas profecias dele que se cumprem especificamente em Cristo. E ele escreveu essas profecias mais de 700 anos antes do nascimento de Jesus.

O propósito eterno de Deus foi descrito como um "mistério" até o momento que se revelou plenamente (Colossenses 1.26-27). Não era um "mistério" no sentido de ser desconhecido por Deus, pois ele decidiu que o seu projeto de redenção residisse em Cristo "antes da fundação do mundo" (Efésios 1.4). Mas era um "mistério" simplesmente porque os homens procuravam "Indagando que tempo ou que ocasião de tempo o Espírito de Cristo, que estava neles, indicava, anteriormente testificando os sofrimentos que a Cristo haviam de vir, e a glória que se lhes havia de seguir." (1Pedro 1.11).

Quando os profetas falavam do Messias vindouro, faziam muitas predições específicas que mostravam que a mensagem deles era da parte de Deus, não do homem. E, o cumprimento das profecias, maravilha-nos da veracidade que Jesus é o Cristo:

Mateus 1.18-23 contempla 7.14 "... uma virgem conceberá, e dará à luz um filho, e será o seu nome Emanuel";

Mateus 11.5 contempla 35.5,6 "... os olhos dos cegos serão abertos...";

1Pedro 2.24-25 contempla 53.5,6 "... pelas suas pisaduras, fomos sarados.";

Mateus 27.57-60 contempla 53.9 "E puseram a sua sepultura com os ímpios e com o rico, na sua morte...";

Marcos 15.27 contempla 53.12 "... foi contado com os transgressores...";

Lucas 24 contempla 25.8 "Aniquilará a morte para sempre...";

Mateus 27.50 contempla 53.4,5 "... o castigo que nos traz a paz estava sobre ele...".

Ao longo dos séculos, os judeus que rejeitaram a Jesus não procuraram um salvador sofredor, mas Isaías claramente descreve um Messias que seria sacrificado pelos nossos pecados. Ao lermos Isaías 53, devemos ser levados a chorar de gratidão por compreendermos melhor o amor de Deus manifesto no dom de seu Filho.

Isaías profetizou dizendo que "... a sua aparência estava tão desfigurada, mais do que o de outro qualquer..." (Isaías 52:14). Quando refletimos em algumas das atrocidades das guerras em nossos dias, essa declaração pode parecer questionável à primeira vista. Mas, quando nos recordamos de sua vida na terra do começo ao fim, não pomos em dúvida que as infâmias sofridas pelo Filho de Deus ultrapassaram o que qualquer outro homem jamais sofreu.

"... não tinha parecer nem formosura..." (Isaías 53:2). Isso não trata simplesmente de seu aspecto físico, pois o Novo Testamento não nos diz nada a esse respeito. Mas Jesus abandonou a glória que tinha junto ao Pai por uma vida sem nada do que normalmente atrai as pessoas a seguir alguém, como riquezas e notoriedade política.

"... Pode vir alguma coisa boa de Nazaré?..." (João 1:46).

"Era desprezado e o mais indigno entre os homens..." (Isaías 53:3).

Nem mesmo o seu próprio povo o recebeu (João 1:11).

A cruz não foi a primeira tentativa para matá-lo. As autoridades judaicas tentaram várias vezes, mas não poderiam matá-lo até que sua hora chegasse (João 12:23-28). Era "... homem de dores..." (Isaías 53:3-4). Ele chorou por causa de Jerusalém, que escondeu assim seu rosto dele. Na noite em que foi traído, ele disse como sua alma era "cheia de tristeza até à morte..." (Mateus 26:36-41). "Da opressão e do juízo foi tirado..." (Isaías 53:8). Buscaram falsas testemunhas; três vezes Pilatos declarou sua inocência; e mesmo o ladrão na cruz disse: "Este nenhum mal fez".

Fonte: Sagradas Escrituras
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